Secretário dos EUA acusa Rússia de usar armas nucleares para 'impor a sua vontade'

© Sputnik / Aleksei Nikolsky / Abrir o banco de imagensChefe da empresa ExxonMobil, Rex Tillerson, durante o encontro com o então primeiro-ministro (agora presidente) da Rússia, Vladimir Putin, na residëncia em Novo-Ogarevo, abril de 2012
Chefe da empresa ExxonMobil, Rex Tillerson, durante o encontro com o então primeiro-ministro (agora presidente) da Rússia, Vladimir Putin, na residëncia em Novo-Ogarevo, abril de 2012 - Sputnik Brasil
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O secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, acusou a Rússia de usar armas nucleares para estabelecer um novo equilíbrio global de poder pós-soviético e reviver a ameaça da Guerra Fria. Ele ainda acrescentou que ainda não é o momento para a cooperação dos EUA com a Rússia contra o terrorismo.

Falando no Centro Woodrow Wilson em Washington na terça-feira, Tillerson disse que a Rússia está usando seu arsenal nuclear para "impor sua vontade aos outros pela força". Como exemplos desse comportamento, ele citou as "invasões" da Geórgia em 2008 e da Crimeia em 2014.

"Com o fim da Guerra Fria, a ameaça iminente que todos enfrentaram por esse período de 70 anos agora estaria diminuindo. O que agora percebemos é que não está", disse. "Ainda está sendo definido. [É algo que] ainda está procurando por seu papel em nome da Rússia".

Tillerson também criticou o Kremlin por ajudar o governo sírio - o que, segundo ele, mostrou "desrespeito por seus próprios cidadãos" - em sua batalha contra o Daesh, Al-Qaeda e outros grupos terroristas.

Rex Tillerson, the former chairman and chief executive officer of Exxon Mobil, smiles during his testimony before a Senate Foreign Relations Committee confirmation hearing on his nomination to be U.S. secretary of state in Washington, U.S. January 11, 2017 - Sputnik Brasil
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A Rússia interveio na Síria em 2015 depois que uma guerra apoiada pelos EUA que trouxe o governo sírio à beira do colapso. As forças russas e sírias, juntamente com o grupo xiita libanês Hezbollah, reverteu a tendência e quase derrotou os insurgentes terroristas, incluindo o Daesh.

Apesar de alegar uma agenda russa de domínio global, Tillerson disse que os EUA e a Rússia estão trabalhando juntos para derrotar o Daesh.

"Com relação à Rússia, existem áreas de cooperação mútua. Estamos trabalhando duro na Síria para derrotar [o Daesh] e estamos a ponto de ter [o Daesh] de uma vez por todas derrotado na Síria", comentou.

Enquanto a Rússia ajudou a campanha militar síria, os EUA apoiaram uma milícia separatista liderada por curdos sob a bandeira das Forças Democráticas da Síria (SDF).

Cooperação no Afeganistão

Tillerson disse que a Rússia está ansiosa para cooperar com os EUA em esforços antiterroristas, mas a administração do presidente Donald Trump se recusou a perseguir essas opções.

"Existem muitas áreas de cooperação com a Rússia, e eles têm muitos outros [interesses] com os quais gostariam de trabalhar conosco. Nós simplesmente não pensamos que é hora de fazer isso", ponderou o secretário.

Os EUA podem estar interessados em cooperar com a Rússia no Afeganistão, onde a guerra é mais longa e Washington não atingiu seus objetivos declarados, disse Tillerson.

"Pode haver oportunidades de cooperação no Afeganistão. Ainda não chegamos ao que poderia ser, mas estamos conversando sobre isso", disse ele. O secretário também pediu aos aliados dos EUA na OTAN que "mantenham seu compromisso com o Afeganistão". Depois de criticar a guerra como candidato, em outubro, Trump reiterou que os EUA iriam manter uma presença militar no Afeganistão por um período indeterminado.

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Além de solicitar aos membros da OTAN que mantenham uma presença militar em solo afegão, Tillerson convidou os aliados da OTAN a gastar 2% de seu Produto Interno Bruto (PIB) em suas Forças Armadas. Ele elogiou a Albânia, a Croácia, a França, a Hungria e a Romênia pelo compromisso recém-declarado de alcançar o tal percentual.

O surgimento de grupos islâmicos ligados ao Daesh na África Ocidental demonstra que a guerra global contra o terrorismo "continuará a ter origens novas e inesperadas", disse Tillerson. "Devemos agir de modo a que áreas como o Sahel ou o Magrebe não se tornem o próximo caldo de cultivo para Daesh, Al-Qaeda ou outros grupos terroristas".

Os EUA comprometeram-se em "até US$ 60 milhões" em um esforço para ajudar a força conjunta do Sahel G5 a combater o terrorismo na África, revelou Tillerson. As insurgências islâmicas brotaram na região apenas depois que rebeldes apoiados pela OTAN depuseram o governo líbio em 2011.

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