Vencedora do Oscar garante: se Hillary Clinton tivesse vencido, estaríamos em guerra

© REUTERS / Mario AnzuoniCast member Susan Sarandon poses at the premiere for "A Bad Moms Christmas" in Los Angeles, California, U.S., October 30, 2017
Cast member Susan Sarandon poses at the premiere for A Bad Moms Christmas in Los Angeles, California, U.S., October 30, 2017 - Sputnik Brasil
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A atriz e ativista estadunidense Susan Sarandon disse acreditar que, caso a democrata Hillary Clinton tivesse vencido as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2016, "estaríamos em guerra".

"Eu pensei que ela era muito perigosa", disse Sarandon em uma entrevista ao jornal britânico The Guardian.

A atriz, que venceu um Oscar nos anos 1990, segue atraindo críticas dos militantes pró-Hillary por conta do seu apoio ao senador democrata de Vermont, Bernie Sanders (derrotado pela ex-secretária de Estado dos EUA nas primárias do Partido Democrata), e pelo seu voto subsequente para a candidata do Partido Verde, Jill Stein, nas eleições do ano passado.

"Eu recebi da militância da Hillary [coisas como] 'espero que sua virilha seja agarrada', 'espero que você tenha sido estuprada'. Ataques misóginos", disse ela.

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Perguntada se Hillary era mais perigosa do que o atual presidente dos EUA, o republicano Donald Trump, Sarandon opinou.

"Eu pensei que ela era muito, muito perigosa. Nós ainda estaríamos frustrados, estaríamos em guerra [se ela fosse presidente]. Não seria muito mais suave. Veja o que aconteceu sob [Barack] Obama que não percebemos", disse a atriz.

Hillary Clinton tem um longo histórico de apoiar as intervenções dos EUA pelo mundo. Seu voto foi importante para a guerra no Iraque, e ela demonstrou o mesmo o zelo para derrubar o líder líbio Muammar Kadhafi – celebrando a sua morte –, são apenas algumas das razões pelas quais os pacifistas optaram por não votar nela.

Enquanto Trump não conseguiu acabar com o intervencionismo dos EUA desde que chegou ao poder, Hillary havia defendido uma zona de exclusão aérea sobre a Síria, o que provavelmente levaria à guerra entre os EUA, a Síria e a Rússia. 

A ex-secretária de Estado dos EUA admitiu que uma zona de exclusão aérea "mataria muitos sírios", em um discurso de 2013 vazado pela organização WikiLeaks antes das eleições. Ela também mantém uma posição agressiva contra o Irã e prometeu, ainda em 2008, uma atitude contra Teerã.

"Se eu for presidente, atacaremos o Irã. Nos próximos 10 anos, durante os quais eles podem ser tontos em considerar lançar um ataque contra Israel, poderemos obliterá-los totalmente".

"Não foi um voto de protesto"

Sarandon votou em Jill Stein em Nova York, o que, a atirz explica, "provavelmente foi o lugar mais fácil para votar em Stein", como Trump não ganharia nesse Estado. "Trazer atenção às questões da classe trabalhadora não é um luxo", disse ela sobre sua decisão. "As pessoas estão realmente frustradas. Foi assim que esse rapaz [Trump] entrou".

"Não foi um voto de protesto", acrescentou. "Depois de Bernie, não foi um protesto".

Além de uma posição pró-guerra, a aparente incapacidade de Hillary para entender a raiva sentida pelos americanos, ainda vivendo com os efeitos da crise financeira global e suas políticas centristas, significaram que ela não era uma candidata viável para Sarandon e outros — mesmo com a ameaça de uma presidência de Trump.

Sarandon destacou a recusa de Clinton em apoiar um salário mínimo de US$ 15 como sendo a postura de uma não feminista.

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A atriz acha que a culpa atribuída a ela sobre a perda da democrata é parte da razão pela qual os democratas perderão novamente.

"Bem, é por isso que vamos perder novamente se dependermos do DNC [o Comitê Nacional Democrata]", disse ela. "Porque a quantidade de negação… Quero dizer, é muito lisonjeiro pensar que eu, por mim mesma, custaria a eleição. Que minha pequena voz foi o fator decisivo".

"Isso é perturbador para mim mais do ponto de vista de pensar que eles não aprenderam", acrescentou.

Sarandon também apontou o fato de que "você não pode julgar pela mídia dominante o que está acontecendo no país", uma citação que The Guardian colocou entre parênteses e descreveu como "o espaço no qual a extrema direita se encontra com a esquerda".

"Como perdemos todos os nossos jornalistas e mídia?", questionou ela.

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