'Sueco sem cabeça' contra 'disco voador'? Confira os tanques mais bizarros do mundo

© Sputnik / Pavel LisitsynTanque T-35, recriado através de desenhos soviéticos
Tanque T-35, recriado através de desenhos soviéticos - Sputnik Brasil
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Mobilidade, proteção, armamento: estas são as características principais de qualquer tanque moderno. Durante muito tempo, as nações com experiência na construção de tanques tentam atingir um "consenso" entre estes três indicadores.

Já que o pensamento da engenharia em países diferentes seguiu seus próprios caminhos, por vezes o material blindado saía muito peculiar. Neste artigo, a Sputnik conta sobre os tanques mais estranhos e incomuns do mundo.

O que tem mais torres

O tanque pesado T-35, desenvolvido entre 1931 e 1932 por um grupo de engenheiros soviéticos chefiado por Nikolai Barykov, virou o primeiro veículo blindado soviético de classe pesada. As particularidades do projeto deste monstro de 50 toneladas incluíam sua "decoração" com uma composição de várias torres. O T-35 contava com cinco torres, o que o tornava capaz de disparar para todos os lados simultaneamente com três canhões e seis metralhadoras DT. Para dirigir e controlar este veículo, era necessário empregar um "time de futebol" com 11 elementos!

© Sputnik / Grigory SysoevTanque pesado T-35, Museu Central de Armamento e Material Blindado
Tanque pesado T-35, Museu Central de Armamento e Material Blindado - Sputnik Brasil
Tanque pesado T-35, Museu Central de Armamento e Material Blindado

Infelizmente, esse avanço tecnológico soviético se mostrou de forma muito modesta em ações de combate. Até 1941, o T-35 participou somente de manobras e desfiles, demonstrando todo o poderio dos blindados do Exército Vermelho. Contudo, todos estes veículos (cerca de 50 unidades) se perderam durante a primeira fase da Grande Guerra pela Pátria (parte da Segunda Guerra Mundial, compreendida entre 22 de junho de 1941 e 9 de maio de 1945, e limitada às hostilidades entre a União Soviética e a Alemanha nazista e seus aliados). A composição de várias torres era pouco eficaz em condições de combate reais. Fisicamente, o comandante não tinha tempo para coordenar o fogo de todas as armas, o tanque tinha baixa mobilidade e sua manutenção técnica era muito complexa. A maior parte dos T-95 foi perdida pelo exército soviético devido a falhas técnicas. Depois de uma experiência sem sucesso com este veículo ameaçador, lindo, mas completamente inútil, a URSS desistiu de fabricar tanques com várias torres.

O mais baixinho

O tanque sueco Stridsvagn 103 (ou Strv.103) é o completamente oposto do T-35. Este veículo é o único representante de tanques de combate principais que não possui uma torre de todo. O canhão de 105 mm L74 está rigidamente fixo na chapa frontal de seu corpo. A pontaria horizontal é realizada via viragem do tanque em torno de seu eixo, a vertical – via levantamento da frente ou traseira do veículo. Uma construção tão peculiar permitiu fazer o tanque o mais baixo possível. Sua altura é de 214 centímetros.

CC BY-SA 3.0 / Jorchr / Stridsvagn 103 Revinge 2015 Strv 103
Strv 103 - Sputnik Brasil
Strv 103

O tanque era ótimo para emboscadas, já que um veículo desses bem camuflado era complicado ser detectado. Contudo, o tanque Strv.103 ficava completamente desamparado em caso de danos na parte propulsora. Era impossível apontar a arma sem lagartas. Mesmo assim, este "sueco sem cabeça" permaneceu como o principal tanque de combate das Forças Armadas do reino de 1966 até os anos de 1990, quando foi substituído pelo Leopard-2 alemão.

O que passa por todo o lado

Durante a guerra fria, tanto os EUA como a União Soviética tentaram desenvolver um tanque que fosse capaz de combater até no epicentro de uma explosão nuclear. Mas os dois países não foram além da construção de protótipos. O Objeto 279 soviético foi desenvolvido em Leningrado (nome de São Petersburgo nessa época) em 1959 pelo legendário engenheiro soviético Josef Kotin. O veículo ainda hoje impressiona por sua aparência peculiar. Primeiro, o corpo do tanque tem a forma de uma elipse, e se parece mais com uma lancha ou com um "disco voador". Tal solução de construção prevenia que o tanque virasse devido a uma onda de choque de uma explosão nuclear. Segundo, a parte propulsora do tanque tinha quatro lagartas, o que ninguém tinha aplicado na construção de tanques antes disso, o que permitia ao tanque superar obstáculos e áreas de difícil transposição.

© FotoObjeto 279
Objeto 279 - Sputnik Brasil
Objeto 279

Contudo, o Objeto 279 não foi lançado para produção em série devido aos problemas da manutenção complexa e dificuldade de fabrico. A única unidade existente deste tanque está apresentada em um museu russo – o Museu Central de Armamento e Material Blindado.

O mais 'cabeçudo' 

O mesmo destino teve um projeto de tanque norte-americano, invulnerável para armas de destruição em massa. O Chrysler TV-8 de 25 toneladas nunca foi lançado para produção em série e existiu apenas como uma maqueta parcialmente equipada. Sobre este tanque se pode dizer que seus engenheiros "complicaram demais". Primeiro, este veículo era movido por um motor a vapor com um pequeno reator nuclear que produzia energia. Segundo, ao contrário da maioria dos tanques, a tripulação deste foi instalada dentro da enorme torre em forma de gota, junto com o canhão, metralhadoras e motor. Terceiro, a tripulação do TV-8 devia se orientar no campo de batalha por meio de um conjunto de câmeras instaladas fora do corpo do tanque. Além disso, este milagre do pensamento de engenharia até sabia nadar.

© Foto / ChryslerChrysler TV-8
Chrysler TV-8 - Sputnik Brasil
Chrysler TV-8

Entretanto, os militares norte-americanos não deram valor à energia inovadora dos engenheiros da corporação Chrysler. O tanque foi considerado complexo demais, suas capacidades de combate foram qualificadas como insuficientes. Pouco depois, o projeto foi cancelado.

O mais rápido a atirar

O tanque leve francês AMX-13, desenvolvido de 1946 a 1949, possui uma torre chamada de oscilante. A torre do AMX-13 consiste de duas partes: a de baixo, rotativa, e a de cima, oscilante, equipada com o canhão. A vantagem principal da torre oscilante era a parte de cima ser fixa em relação ao canhão, o que permitia usar nele um mecanismo de carregamento simples ao máximo.

CC0 / / AMX-13
AMX-13 - Sputnik Brasil
AMX-13

Devido ao esquema em tambor de carregamento de munições, este veículo pode realizar de 10 a 12 disparos por minuto e permite "excluir" da tripulação o municiador.

Este tanque peculiar se mostrou bem-sucedido. No total, foram construídos cerca de oito mil tanques AMX-13. Ainda agora, eles estão em serviço das forças armadas de mais de uma dezena de países.

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