Criolo denuncia golpe durante show em Portugal: 'Não vamos nos calar!'

© Foto / Lucas RohanCantor brasileiro Criolo na Festa do Avante, no sul de Lisboa,3 de setembro de 2016
Cantor brasileiro Criolo na Festa do Avante, no sul de Lisboa,3 de setembro de 2016 - Sputnik Brasil
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Manifestação do cantor brasileiro foi feita na Festa do Avante, um dos maiores eventos comunistas do mundo, e se somou a outros protestos contra o impeachment.

O cantor brasileiro Criolo começou e encerrou sua apresentação na Festa do Avante, no sul de Lisboa, na noite deste sábado, denunciando o golpe no Brasil.

"Diga não ao golpe de Estado que está acontecendo essa hora no Brasil", disse Criolo no final do show, para o aplauso de milhares de pessoas que lotavam o palco principal da tradicional festa promovida há 40 anos pelo Partido Comunista Português (PCP).

© Foto / Lucas RohanGrupo de brasileiros exibia uma faixa "Fora, Temer" estilizada com a logomarca das Olimpíadas
Grupo de brasileiros exibia uma faixa Fora, Temer estilizada com a logomarca das Olimpíadas - Sputnik Brasil
Grupo de brasileiros exibia uma faixa "Fora, Temer" estilizada com a logomarca das Olimpíadas

"Neste momento está acontecendo um golpe de Estado no Brasil. Não vamos nos calar! Amor… amor", disse Criolo quando começou a apresentação. Entre o público, um grupo de brasileiros exibia uma faixa "Fora, Temer" estilizada com a logomarca das Olimpíadas. Após o show, Criolo recebeu os brasileiros e posou para foto com a faixa de protesto. No verso, escreveu uma poesia: "De tanta luz se sonha / Um tanto a mais de amor / Pois o nosso sal de cada dia / Não mais me desse ou desce a democracia".

A manifestação do cantor brasileiro se somou a outros protestos contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e contra o presidente recém-empossado Michel Temer realizados durante a Festa do Avante. Muitos brasileiros andavam identificados com camisetas e cartazes com a imagem de Dilma ou frases de protesto contra Temer durante o evento. A situação política do Brasil também foi pauta de vários debates.

Pouco antes da apresentação de Criolo foi realizado um ato sobre o tema em um dos palcos da festa. "Essa é uma expressão de solidariedade do Partido Comunista Português com o Brasil", disse Valdemar Santos, integrante do PCP de Setúbal e que coordenou o ato político.

© Foto / Lucas RohanManifestantes na Festa do Avante
Manifestantes na Festa do Avante - Sputnik Brasil
Manifestantes na Festa do Avante

Participaram representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), do Partido dos Trabalhadores (PT), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e do próprio PC português.

© Foto / Lucas RohanGrupo de brasileiros exibia uma faixa com os dizeres "golpe nunca mais"
Grupo de brasileiros exibia uma faixa com os dizeres golpe nunca mais   - Sputnik Brasil
Grupo de brasileiros exibia uma faixa com os dizeres "golpe nunca mais"

Na plateia, um grupo de brasileiros exibia uma faixa com os dizeres "golpe nunca mais" e gritava palavras de ordem contra Temer no intervalo dos discursos. O responsável pelas relações internacionais do PCP, Maurício Miguel, foi o primeiro a falar e disse que o que aconteceu no Brasil foi "uma farsa contra a presidenta eleita".

Romênio Pereira, representante do PT no ato, falou na sequência e agradeceu a solidariedade dos portugueses. "Covardia é uma palavra que não existe no nosso dicionário. Nós vamos lutar", afirmou.

"Esse golpe não ocorreu pelas razões que a mídia difunde, mas sim pelo conjunto da obra que os governos progressistas de Lula e Dilma realizaram", disse José Reinaldo Carvalho, que representou o PCdoB, antes de citar uma lista de avanços na área social dos últimos 13 anos de governos petistas no Brasil.

© Foto / Lucas RohanEspectadora no show do cantor brasileiro Criolo
Espectadora no show do cantor brasileiro Criolo - Sputnik Brasil
Espectadora no show do cantor brasileiro Criolo

Avante

A Festa do Avante comemora 40 anos em 2016. O evento começou a ser realizado pelo PCP dois anos após o fim da ditadura portuguesa, em 1976. Desde então, anualmente reúne milhares de pessoas em três dias de shows, debates, exibições de filmes e exposições e atividades recreativas na região da Amora, ao sul do rio Tejo, perto de Lisboa.

Partidos comunistas e de esquerda de várias partes do mundo participam do Avante. Representações do Brasil, com o PCdoB, o PT e o MST, se repetem a cada ano. Dessa vez, a participação dos brasileiros foi pautada pela instabilidade política, já que o evento coincidiu com a semana na qual o impeachment foi aprovado e Dilma afastada.

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