Pequim chama operação naval dos EUA de 'mentalidade da Guerra Fria'

CC BY 2.0 / Frota do Pacífico da Marinha dos EUA / USS John C. Stennis (CVN-74), um super-porta-aviões de propulsão nuclear norte-americano da classe Nimitz
USS John C. Stennis (CVN-74), um super-porta-aviões de propulsão nuclear norte-americano da classe Nimitz - Sputnik Brasil
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Dois porta-aviões norte-americanos, o USS John C. Stennis e USS Ronald Reagan, começaram operações no mar das Filipinas no fim da semana passada, pela primeira vez em cerca de dois anos.

Os navios e aviões de ambos os grupos iniciaram operações coordenadas em águas internacionais no dia 18 de junho, ‘demonstrando a capacidade única dos Estados Unidos’ de realizar exercícios navais conjuntos de porta-aviões, segundo um comunicado da Marinha.

As operações incluíram exercícios de defesa aérea, vigilância marítima, reabastecimento no mar, ataques de longo alcance e muito mais. Cerca de 12.000 marinheiros, 140 aeronaves e seis navios de guerra estão envolvidos nas operações.

"Hoje, continuamos a longa história de exercícios dos dois nossos porta-aviões no mar das Filipinas", contra-almirante Marcus Hitchcock, comandante da unidade Carrier Strike Group 3, citando em um comunicado da Marinha.

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De acordo com o Pentágono, essas manobras não visam responder a qualquer crise, a concentração de tantos efetivos está incluída no programa de treinamento de combate.
Entretanto, segundo especialistas, isso é “nada mais que um sinal para a China“.

A China reclama praticamente todo o mar do Sul da China como seu território soberano e reforçou suas exigências ao construir ilhas artificiais em diversos locais rochosos e recifes na região. Os EUA têm manifestado contra a chamada tática de consolidar pela força suas exigências territoriais.

Esta patrulha dos EUA e Filipinas no mar do Sul da China com a participação do porta-aviões Stennis foi considerada por Pequim como “manifestação da lógica da Guerra Fria” e militarização da região.

Os países que estão envolvidos na disputa do Mar do Sul da China aguardam uma decisão do tribunal arbitral da ONU.

A demanda judicial foi interposta pela República das Filipinas. Manila manifestou o seu protesto contra as reivindicações da China da zona econômica exclusiva ao redor de uma série de corais, rochas e outras formações no arquipélago em Nansha e nas outras áreas do Mar do Sul da China.

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Caso a decisão do tribunal seja contrária à China, os EUA e os seus aliados na região vão exigir o reconhecimento pela China da decisão legal da ONU, tomada com base na Convenção sobre o Direito do Mar. Curiosamente, os EUA não ratificaram este documento legal internacional até o momento.

Até o momento todos os esforços dos EUA de fazer pressão sobre Pequim e fazer  a China parar com suas reivindicações na região não têm surtido efeito. A China não tem mostrado quaisquer sinais da fraqueza bem como intenções de chegar a um compromisso sobre questões que ela classifica de fundamentais.

Quanto à Rússia, ela segue os princípios da não ingerência. De acordo com o analista russo Ilya Usov, é dos interesses da Rússia desenvolver relações diversificadas com todos os países da região Ásia-Pacífico. Entretanto, para Moscou é preciso manter a parceria privilegiada com a China.

“A situação alterou-se por causa do papel crescente da China na região. Sendo um ator forte, com uma posição ofensiva bastante ativa, isso atemoriza os seus vizinhos, com quem historicamente tinha relações tensas. Entretanto, estes países são parceiros potenciais da Rússia, tendo em conta que Moscou ultimamente tem efetuado uma viragem para Oriente, que se tornou evidente durante a recente cúpula ASEAN/Rússia em Sochi”, disse Usov.

Acrescentou também que a Rússia não tenciona abandonar o seu estatuto de neutralidade e não pode ser a parte da disputa.

“Sempre insistimos em que as partes da disputa devem resolver a situação através do diálogo pacífico. A Rússia não abandonará esta posição”, concluiu o especialista.

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