Diálogo sírio não tolerará ultimatos

© AFP 2022 / SALVATORE DI NOLFIBashar al-Jaafari fala na sede das Nações Unidas em Genebra depois do seu encontro com Staffan de Mistura, em 14 de março de 2016
Bashar al-Jaafari fala na sede das Nações Unidas em Genebra depois do seu encontro com Staffan de Mistura, em 14 de março de 2016 - Sputnik Brasil
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A Rússia irá apoiar qualquer acordo sobre o futuro sistema político que seja alcançado entre o governo e a oposição da Síria, disse o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, nesta segunda-feira (14).

O chanceler russo comentou assim o início da nova rodada de negociações sobre a paz na Síria, que está tendo lugar em Genebra, na Suíça.

Lavrov não deixou de reiterar que "só o povo sírio decidirá o futuro do seu país; toda e qualquer forma de governo deverá ser aprovada por todos os sírios", frisou.

​E advertiu contra "qualquer espécie de ultimatos e tentativas de predeterminar o curso do diálogo intersírio", que "não são favoráveis ao atingimento de um acordo".

O chanceler russo está em Moscou e acaba de participar de uma entrevista coletiva com o seu colega tunisino, Khemaies Jhinaoui, depois de um encontro privado.

© Sputnik / Vitaly Belousov / Abrir o banco de imagensSergei Lavrov (direita) e Khemaies Jhinaoui se cumprimentam antes de iniciar coletiva de imprensa em 14 de março de 2016
Sergei Lavrov (direita) e Khemaies Jhinaoui se cumprimentam antes de iniciar coletiva de imprensa em 14 de março de 2016 - Sputnik Brasil
Sergei Lavrov (direita) e Khemaies Jhinaoui se cumprimentam antes de iniciar coletiva de imprensa em 14 de março de 2016

Os chanceleres discutiram um leque de assuntos sobre o terrorismo e a situação na região do Norte da África e Oriente Médio. Jhinaoui agradeceu à parte russa "o apoio que [a Rússia] nos presta no combate à ameaça terrorista".

Militares sírios lançam fogo da peça de artilharia D-30 contra as posições de militantes nos arredores de Palmira, Síria, 14 de março de 2016 - Sputnik Brasil
Batalha por Palmira é momento crucial da guerra na Síria
Em julho de 2015, a cidade balneária tunisina de Sousse foi alvo de um ataque terrorista que visou hotéis em uma zona bastante popular entre turistas. O grupo terrorista Daesh assumiu a responsabilidade pelo atentado. A Tunisia declarou um estado de emergência no país.

Os terroristas provavelmente teriam vindo da vizinha Líbia, transformada, depois da morte do coronel Muammar Kadhafi, em um país instável e sem governo permanente. É na Líbia onde o Daesh, que tinha surgido no Iraque e na Síria, teve um eco. No início do mês em curso, as forças armadas tunisinas realizaram uma operação na fronteira com a Líbia, matando mais duas dezenas de militantes.

Negociações

O líder da delegação governamental síria em Genebra, Bashar al-Jaafari (ele é representante permanente de Damasco na ONU), declarou, depois do encontro com Staffan de Mistura, enviado especial da ONU para a Síria, que o encontro foi "construtivo".

O encontro com a oposição terá lugar em 15 de março. No dia seguinte, 16, Mistura voltará a se encontrar com al-Jaafari.

O representante sírio frisou que um diálogo intersírio amplo é necessário "sem intervenção externa". Ele insistiu que a oposição síria deve ser representada na sua diversidade, também "amplamente".

"Aqueles que não respeitam estas bases, pretendem sabotar esta ronda das negociações, da mesma maneira como sabotaram a anterior", disse.

O processo Genebra 3 (quer dizer, a terceira tentativa de reunir as partes para negociações na capital suíça) começou oficialmente em 29 de janeiro de 2016. Em uma semana, teve que ser parada para ser retomada em finais de fevereiro.

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