Montenegro quer aderir a OTAN sem estragar relações com a Rússia

© AFP 2022 / SAVO PRELEVICJens Stoltenberg (esquerda) e Milo Djukanovic em um evento em Podgorica
Jens Stoltenberg (esquerda) e Milo Djukanovic em um evento em Podgorica - Sputnik Brasil
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Montenegro será provavelmente o próximo país a aderir à OTAN. A Aliança Atlântica está realizando um programa de ampliação "parcial".

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Várias pesquisas de opinião pública atestam que cerca de metade da população montenegrina votaria a favor da adesão à OTAN. Mas a outra metade (um pouco menos) é firmemente contra tal opção. Tal acontece pela primeira vez na História. Foi o próprio primeiro-ministro de Montenegro, Milo Djukanovic, quem divulgou os resultados durante o Fórum Internacional de Segurança Globsec em Bratislava.

Aquele evento foi sumamente significante para o Montenegro, país considerado como candidato "ideal" a próximo membro da aliança. Representantes tanto da OTAN como de outros países têm afirmado que o país "deverá com certeza" receber um convite, até que o secretário-geral, Jens Stoltenberg, disse, na semana passada, que a decisão final será tomada em dezembro deste ano.

A adesão à OTAN foi proclamada como objetivo estratégico nacional pelas autoridades montenegrinas em 2010. Para os altos responsáveis do país, ser membro da OTAN é "a melhor garantia para os investidores, dos quais nós dependemos tanto".

Contudo, o próprio Milo Djukanovic não considera a sua eventual condição "atlântica" como um obstáculo para as relações internacionais, inclusive com a Rússia.

"A adesão de Montenegro à integração euratlântica não irá, de nenhuma maneira, se tornar um empecilho para o desenvolvimento das relações com os parceiros e amigos — tais como a Rússia", disse Djukanovic em um discurso recente.

Vários analistas afirmam que o pequeno Montenegro, parte da antiga Iugoslávia situada à beira do mar Adriático, não poderá dar nenhuma contribuição séria para a OTAN.

"O que pode o Montenegro oferecer à OTAN? As suas baías não têm a capacidade de acolher navios militares sérios, e mesmo assim, a Aliança possui bases mais sofisticadas na Itália. A mesma coisa aplica-se aos aeroportos. A indústria militar desse país está subdesenvolvida e os recursos humanos, extremamente limitados", disse, em entrevista à Sputnik Srbija, o cientista político Miroslav Lazanski.

Ou seja, acredita o cientista, Montenegro será apenas mais um país dentro da OTAN. Para a Aliança, será uma razão quantitativa, algo como "mais um ponto na competição propagandística e psicológica de ‘Quem cresce melhor'".

"Por outro lado, a adesão de Montenegro à Aliança irá mudar a atitude do Kremlin para com esse país, a atitude do capital russo irá mudar também", diz Lazanski.

O presidente do Centro de Pesquisa Social e Política da Rússia, Georgy Fyodorov, acredita que a OTAN visa prejudicar a Rússia com a aceitação do Montenegro:

"As autoridades de Montenegro irão continuar dizendo que isso não significará um agravamento das relações, mas haverá tensão ao nível político, porque Moscou compreende que a OTAN não é um clube de filatelistas, mas um bloco que considera a Rússia como seu adversário estratégico principal. A adesão de Montenegro à OTAN pode reduzir a influência russa na região".

Já para o chefe do Comitê da Duma de Estado (câmara baixa do parlamento russo) para Assuntos Internacionais, Aleksei Pushkov, a OTAN poderá usar Montenegro como meio de afirmação:

"Nós vemos das declarações de Stoltenberg, dos EUA, que a OTAN está atualmente passando por um período de certo renascimento, e eles tentam usar ao máximo esta tensão".

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