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São Petersburgo e BRICS: luz no fim do túnel para a trágica crise da Grécia?

© AFP 2022 / LOUISA GOULIAMAKI / Abrir o banco de imagensO primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, durante conferência realizada nesta sexta-feira (15) em Atenas
O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, durante conferência realizada nesta sexta-feira (15) em Atenas - Sputnik Brasil
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Para a Grécia, o próximo Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo (SPIEF, na sigla em inglês), que acontece entre os dias 18 e 20 de junho, será uma “oportunidade histórica” para aprofundar a cooperação com a Rússia e os outros países do BRICS, segundo afirmou à Sputnik o vice-ministro da Defesa grego, Kostas Isychos.

"A parte grega, que vai visitar São Petersburgo liderada pelo Primeiro-Ministro Alexis Tsipras, considera que esta é uma excelente oportunidade – eu diria, até mesmo, uma oportunidade histórica. Ela abre uma janela para a Grécia em uma região, em uma área onde nós temos relações tradicionais – históricas, religiosas, econômicas e assim por diante", disse Isychos, que também copreside a Comissão Interestatal Russo-Grega.

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De acordo com o vice-ministro, considerando que o potencial de suas relações com a Rússia ainda não foi totalmente explorado, Atenas sugere aprofundar a cooperação com os países do BRICS na região da Eurásia, especialmente na área da energia.

Além disso, a Grécia está interessada em se tornar membro do Banco de Desenvolvimento dos BRICS, na medida em que encara a nova instituição como uma alternativa potencial para o Fundo Monetário Internacional (FMI), segundo afirmou Isychos.

"Eu acho que o Banco de Desenvolvimento dos BRICS parece ser uma alternativa [para o FMI]", disse ele, acrescentando que "o monopólio do FMI”, por vezes, “levou a tragédias e catástrofes de milhares de pessoas ao longo das últimas décadas".

Isychos disse ainda que deve haver "um contrapeso de um banco que não será uma cópia ou outra versão do FMI”, defendendo a necessidade “de um banco de desenvolvimento para o interesse mútuo e o interesse multilateral para todos os povos e os países relevantes".

Atentando para o fato de que ainda é cedo para fazer anúncios oficiais, já que o projeto ainda está em fase de instituição e Atenas não tem “quaisquer meios práticos para analisar o Banco de Desenvolvimento dos BRICS”, o vice-ministro afirmou, no entanto, que, “em teoria, há oportunidades” neste sentido para beneficiar o país europeu.

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Por fim, Isycho opinou que o SPIEF deste ano será uma oportunidade não apenas para a Grécia, mas também para outros países que queiram avançar as negociações sobre o Banco dos BRICS.

Criado em meados de 2014 por um acordo entre Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a nova instituição financeira tem como objetivo mobilizar recursos para projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável no âmbito dos BRICS, bem como em outras economias emergentes e países em desenvolvimento.

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Concebido como uma alternativa para as instituições financeiras globais do Ocidente, o banco já estabeleceu uma reserva de US$ 100 bilhões para garantir a estabilidade financeira do projeto.

Falando sobre a grave crise econômica enfrentada por seu país diante de uma enorme dívida com o FMI e outras organizações internacionais, o vice-ministro grego disse à Sputnik que Atenas não pretende dar calote e que as alegações da mídia de oposição a este respeito são simplesmente tentativas de agravar as negociações do país com os seus credores.

"Claro, a grande mídia tenta empurrar esse tipo de impacto midiático sobre os povos e as nações, a fim de criar uma atmosfera negativa para a Grécia nas negociações que estão acontecendo", disse Isychos, sublinhando que "a intenção” do governo grego não é a de dar calote.

A Grécia está, no entanto, em um "difícil e extenuante ponto das negociações" com o FMI e outros credores, podendo em breve começar a procurar por novas fontes de ajuda financeira, segundo constatou o vice-ministro.

O país é um dos mais afetados pela crise financeira global iniciada em 2008. A dívida total grega é atualmente estimada em cerca de US$ 350 bilhões, dos quais US$ 270 bilhões são devidos aos seus três maiores credores, o FMI, a União Europeia e o Banco Central Europeu.

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No início de junho, Atenas adiou o pagamento de uma parcela de US$ 350 milhões ao FMI, comprometendo-se, em vez disso, a pendurar a conta para quitá-la em um único pagamento de US$ 1,8 bilhão até o final do mês.

Na terça-feira (16), o tabloide alemão Bild, citando uma fonte não identificada no governo grego, reportou que Atenas estaria considerando um atraso de seis meses para transferir a soma de US$ 1,8 bilhão.

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O clima de tensão, acentuado pela ameaça de uma possível saída da Grécia da zona do Euro, também se reflete no cenário interno do país. No início do ano, uma coalizão partidária de esquerda chegou ao poder com a promessa de acabar com as impopulares medidas de austeridade impostas pelos credores internacionais em troca do resgate financeiro.

Diante de uma crise social e econômica digna das grandes tragédias gregas, o país tem lutado desde então para continuar respirando e tentar encontrar uma linha de fuga para o impasse. Em mensagem no Twitter publicada no último dia 5, Tsipras reforçou o compromisso de "defender completamente o direito do povo [grego] de viver em dignidade e em condições que levem à prosperidade". 

Até agora, porém, a Grécia e seus três principais credores ainda não conseguiram chegar a um compromisso mutuamente aceitável para socorrer o país europeu. De acordo com a chancelaria russa, o primeiro-ministro grego se reunirá com o presidente russo Vladimir Putin durante sua estadia em São Petersburgo para o fórum econômico.

 

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