Opinião: Europa precisa de grandes esforços para rivalizar com China na América Latina

© AP Photo / Geert Vanden WijngaertDilma Rousseff e primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, durante a cúpula UE-CELAC
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A Europa precisa aplicar grandes esforços para ser um parceiro da América Latina à altura da China, acredita um cientista político belga.

Um dia depois do início da cúpula UE-CELAC, que teve lugar na quarta-feira (10) em Bruxelas, é hora de prognosticar futuros cenários da cooperação entre a América Latina e Europa.

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Para o diretor do Centro de Estudo das Relações Internacionais (CEFIR) da Universidade de Liège, professor Sebastian Santander, contatado pela Sputnik France, as relações entre a região latino-americana e a União Europeia têm duas vertentes principais: a econômica e a política.

Com a econômica, está mais ou menos tudo bem:

"Os investimentos europeus na América Latina equivale a 385 bilhões de dólares, o que seria superior aos investimentos europeus na China, Índia e Rússia reunidas. Mas contudo, a América Latina, em termos comerciais, só representa 6% do comércio total da UE".

Porém, no que toca ao assunto da cooperação e compreensão mútua na área política, é diferente. "As relações entre a UE e a América Latina são longe de serem completas" e enfrentam "obstáculos e ameaças", adverte Santander:

"Da parte europeia, são raros os países, à exceção da Espanha, que estejam realmente interessados em desenvolver uma relação política estreita e apoiada com a América Latina. Aliás, a ampliação da UE para o Leste da Europa consolida o isolamento dos países-membros da UE que gostariam de ter uma relação mais forte com a América Latina. Além disso, o centro de gravitação da UE está situado, econômica e diplomaticamente, nos EUA e a cada vez mais na Ásia, após a acumulação do poderio pela China".

© AFP 2022 / JOHN THYSRafael Correa, Evo Morales, François Hollande, Dilma Rousseff na cúpula UE-CELAC
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Segundo o especialista, observa-se atualmente uma rivalidade entre a China e a União Europeia pela influência na América Latina. Em entrevista, ele notou que a cooperação é justa e mútua: os países do continente latino-americano vendem matérias-primas e produtos agrícolas, e a China retorna com investimentos, nomeadamente na infraestrutura e tecnologia.

Outra razão do interesse chinês na América Latina, de acordo com Santander, é "estratégica": como um continente próximo dos Estados Unidos, ser influente nesta região seria para a China uma maneira de mostrar a sua potência aos EUA, país que tem se considerado a única potência mundial.

O país emergente asiático tem uma vantagem sobre os países da União Europeia, acredita o cientista político. É um parceiro "incontornável" para todo o continente. Os projetos propostos pela China a um país abrangem quase necessariamente todo o ambiente continental. Como aquela ferrovia que ligará o litoral atlântico brasileiro ao pacífico peruano, cuja construção foi pactuada por Dilma Rousseff e o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, durante a visita do último à região.

"A presença [da China] ajudou a América Latina a atravessar, sem maiores dificuldades, a crise mundial. Mas esta situação faz com que a América Latina esteja enfrentando novas dependências", previne o professor Santander. Segundo ele, a China pode exigir cessar de reconhecer Taiwan como um Estado independente. Hoje em dia, a maioria dos países sul-americanos mantêm relações diplomáticas e comerciais com Taiwan, mesmo sem reconhecê-lo oficialmente como Estado soberano.

O especialista frisa que a União Europeia tende principalmente "a centrar-se em si própria", o que faz com que o diálogo político com a América Latina seja "muito fraco".

Para melhorar a sua presença na região latino-americana, a Europa deveria, segundo acredita Santander, "reincorporar a América Latina à agenda europeia", buscando desenvolver uma "visão comum dos desafios geopolíticos". E isso não significa exigência de alinhamento imediato, senão um diálogo de verdade.

Os países da América Latina e do Mercosul discrepam sobre a cooperação europeia. A presidente brasileira, Dilma Rousseff, diz, por exemplo, que as regras do Mercosul devem incluir a possibilidade de fechar acordos com outros países e organismos por via individual, sem consentimento obrigatório de todas as partes.

No entanto, há países que não querem acordos com a União Europeia.

As relações entre a UE e a CELAC foram estabelecidas em 1999, depois de uma cúpula no Rio de Janeiro. Depois disso, o encontro ao nível presidencial e de chefes de governo tornaram-se bianuais.

Em 2014, as exportações europeias à América Latina alcançaram 110,6 bilhões de euros, sendo a Alemanha (28%), a Espanha (13%) e a Itália (12%) os líderes.

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