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Copa América começa sob ameaça de ações políticas dos EUA

© Sputnik / Alexey Filippov / Abrir o banco de imagensBola de futebol. Jogo entre Cuba e o New York York Cosmos mistura política com esporte.
Bola de futebol. Jogo entre Cuba e o New York York Cosmos mistura política com esporte. - Sputnik Brasil
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A Copa América começa nesta quinta-feira, 11, dias depois que uma operação do FBI prendeu membros da FIFA, representantes das confederações do continente americano. Em entrevista à Sputnik, Jorge Ramos, da Rádio Nacional-RJ e da TV Brasil, fala dos efeitos que as investigações dos EUA podem ter sobre a competição.

A seguir, a entrevista com o comentarista esportivo.

Sputnik: Quais são os reflexos, na competição da Conmebol, das operações realizadas pelos EUA e também pela Justiça da Suíça, que detiveram dirigentes de entidades do futebol internacional, como José Maria Marin, vice-presidente da CBF – Confederação Brasileira de Futebol, às vésperas do congresso da FIFA que reelegeu o agora demissionário Joseph Blatter?

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Jorge Ramos: Ainda não existe impacto nos campos. O impacto maior foi na FIFA. Por enquanto, ele repercute mais na FIFA. O próprio presidente renunciou, não vai cumprir seu mandato e está esperando apenas esse tempo para a nova eleição. Houve um recuo da parte da FIFA. Aqui no futebol brasileiro, algumas mudanças foram propostas pelo presidente da CBF, Marco Polo del Nero, na estruturação no futebol, e, com o término do poder de veto da CBF em relação aos clubes, eles vão poder organizar calendários, estabelecer preços de ingressos, sistemas de disputa. Esta é uma alteração já proposta pelo próprio presidente da CBF, que está sendo investigado.

S: E quanto à Conmebol?

JR: Com relação à Conmebol, que organiza a Copa América, não se tem ainda uma visão do que vai acontecer, apesar de dirigentes terem sido presos. Porque, como é uma estrutura que vem formada há anos, isso demora. As mudanças não vão acontecer da noite para o dia. Ninguém espere que a partir da prisão de José Maria Marin, da prisão de gente da Concacaf, vá mudar a estrutura de uma hora para outra. Não vai. Isto é um trabalho gradativo, que vai acontecer ao longo de muitos meses, talvez alguns anos, para que a gente perceba alguma mudança nesta estrutura.

S: Permanece a ameaça contra outros dirigentes do futebol das Américas Central e do Sul? Ameaça de serem investigados ou mesmo detidos?

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JR: Sem dúvida, permanece. Continuam as investigações através do FBI, as investigações aqui no Brasil também. A gente sabe que o Senador Romário já tem confirmada a instalação de uma CPI, e as investigações vão continuar, e novas prisões podem acontecer. Ontem mesmo [terça-feira, 9], houve a prisão de um alto dirigente – que acabou se entregando na Itália, na verdade, ele nem foi preso. Então isso vai continuar a acontecer, pois as investigações não vão parar. Vai começar uma nova estrutura. Quando o FBI fez as prisões na Suíça, um pouquinho antes das eleições, foi o maior terremoto, o maior impacto na estrutura do futebol mundial. Aquele dia foi escolhido a dedo para ter uma repercussão mundial. Isto vai continuar acontecendo. As mudanças é que serão gradativas. Mas que vão acontecer, não há dúvida nenhuma.

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