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PT faz congresso nacional sob desgaste e com risco de deserções

© Estadão Conteúdo / Alex SilvaBandeiras do PT e do Brasil.
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A partir da quinta-feira (11), o Partido dos Trabalhadores promove o seu 5.º Congresso Nacional em meio à crise atual entre o próprio PT e o Governo. Estão sendo esperados no evento a Presidenta Dilma Rousseff e o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos membros do Diretório Nacional e delegados regionais do Partido.

Segundo o PT, o encontro em Salvador tem como objetivo elaborar uma resolução política que represente o diálogo intenso com a militância e a sociedade a fim de apontar os caminhos de fortalecimento do Partido dos Trabalhadores e manter o crescimento do Brasil.

Esta vai ser a primeira aparição pública de Dilma e Lula juntos após alguns setores do PT estarem atacando abertamente as ações político-econômicas realizadas pela presidente da República desde o início de seu segundo mandato, e principalmente fazendo críticas ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. O ex-Presidente Lula, no entanto, tem saído em defesa de Dilma várias vezes, com o objetivo de acalmar os mais exaltados do Partido.

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Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o professor de Ciência Política da Universidade Federal de Ouro Preto, MG, Antônio Marcelo Jackson analisa a crise atual entre o Partido dos Trabalhadores e o Governo Federal como “uma consequência de 35 anos de descaracterização das raízes ideológicas de fundação do Partido em prol de conquistar e se manter no poder”. O Professor Jackson comenta: “É um partido que não é unitário na sua essência, enquanto partido político. Ele possui várias correntes que se digladiam o tempo todo desde a fundação, nos anos 80, e apenas em alguns momentos chegaram a algum acordo em nome de atingir determinado objetivo, como, por exemplo, na vitória de Lula no primeiro turno das eleições, em 2002.”

Outro problema do Partido dos Trabalhadores, citado pelo professor, vem ao encontro da análise do pensador alemão Robert Michels, que diz que todo grupo social que adquire uma grande dimensão – e os partidos políticos podem se inserir nisso – tende naturalmente a se converter numa oligarquia, em que pequenos grupos comandam um grupo maior. “Se pararmos para pensar, à medida que o PT ganha as eleições de 2002, o que fica evidente no Partido dos Trabalhadores é que um pequeno grupo de algumas correntes, que atuam no PT desde sua fundação, começaram a governar como oligarquias dentro do Partido, em nome de se chegar e se manter no poder. A partir daí o PT passa a perder suas origens e rompe os elos de sua fundação. Existia uma unificação no Partido, não em termos ideológicos, mas em termos de ações para se chegar ao poder e lá se manter, como em 2006 na reeleição de Lula, e mais em sequência com a candidatura de Dilma, porém aí já é o resultado de um primeiro grande problema dessa pequena oligarquia que se formou dentro do PT, que teve todos os membros dessa elite dirigente do PT envolvidos no escândalo conhecido como Mensalão.”

Sobre até que ponto os escândalos de corrupção envolvendo membros do PT podem dividir o Partido, Antônio Marcelo Jackson diz que “vai depender do custo que cada membro do Partido faça em relação a esse escândalo. Na hora em que criarem uma planilha de custos e benefícios, eles veem que há um custo maior de se manter no PT”.

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Em relação aos efeitos que podem ter as divergências em relação às medidas impopulares tomadas pela Presidenta Dilma sobre a legislação trabalhista, que alterou direitos dos trabalhadores, o professor de Ciência Política já vê reflexos das ações de ajuste fiscal do Governo nas próximas eleições municipais. “Qualquer um que esteja pensando de forma direta nas eleições municipais vai procurar se afastar um pouco da esfera de poder da Presidência da República. Já outro grupo que esteja no poder ou que não esteja pensando nas eleições municipais, esse terá tempo de esperar mais um pouco, sim, para ver se essas medidas vão produzir bons resultados ou não.”

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