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Bancos Centrais latino-americanos defendem moedas nacionais

© flickr.com / Ken TeegardinPresidentes dos Bancos Centrais dos países do CEMLA se reuniram em Cancún, no México, para discutir temas relacionados à especulação com o câmbio e às remessas financeiras dos expatriados
Presidentes dos Bancos Centrais dos países do CEMLA se reuniram em Cancún, no México, para discutir temas relacionados à especulação com o câmbio e às remessas financeiras dos expatriados - Sputnik Brasil
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Os presidentes dos Bancos Centrais dos países do CEMLA – Centro de Estudos Monetários da América Latina – participaram em Cancún, no México, da 90.ª reunião da entidade. O encontro aconteceu no último fim de semana. O jornalista Mário Russo acompanhou com exclusividade para a Sputnik Brasil toda a movimentação em torno do evento.

Russo elencou os destaques do encontro, em que estiveram os temas relacionados à especulação com o câmbio e às remessas financeiras dos expatriados, ou seja, o envio de dinheiro aos países de origem por parte de pessoas que vivem em outras nações. 

O jornalista lembrou que o CEMLA – Centro de Estudos Monetários da América Latina – é uma associação de Bancos Centrais fundada em 1952 por 53 instituições-membros, entre associados e colaboradores. Seus objetivos de então eram normatizar procedimentos monetários e fiscais e estabelecer mecanismos de cooperação de natureza técnica. 

Mário Russo pensa também que o grande tema abordado na reunião dos presidentes dos Bancos Centrais neste ano foi o da especulação com o câmbio, embora o assunto não tenha sido oficialmente divulgado para a mídia. O jornalista considera esta especulação como uma faca de dois gumes: “Enquanto que, para o exportador, a depreciação do câmbio é boa porque ele vai lucrar mais e receber (no caso do Brasil) maior quantidade de reais quando convertidos do dólar, para o importador o problema é preocupante porque isto vai afetar diretamente os seus custos operacionais. 

Mário Russo lembra ainda de como a questão especulativa com o câmbio é altamente complexa. A quem interessa especular com o câmbio, depreciar determinadas moedas para valorizar o dólar? – pergunta o jornalista. E ele mesmo responde:

“Há vários fatores que devem ser considerados. O primeiro deles é a volta da elevação da taxa de juros no mercado dos Estados Unidos. Ora, o que o investidor faz quando os juros estão altos? Aplica o dinheiro. A outra questão é de que os preços das commodities estão caindo há algum tempo, como é o caso do Brasil. Minério de ferro, produtos agrícolas, tudo isso vem tendo suas cotações reduzidas, e com isso o dólar se fortalece. E a China, que está crescendo mas não naquele patamar de 8, 9, 10% ao ano, também contribui para isso. Quem sofre com estes fatos? A moeda que está sendo desvalorizada.”  

Mário Russo encerra as suas observações citando recentes manifestações do sacerdote e sociólogo belga François Houtart, para quem toda esta questão da especulação cambial se deve à ganância pelo capital, à filosofia do ganho do capital pelo próprio capital. “Esta ganância encerra todas as questões ligadas às crises financeira e cambial”, conclui o jornalista.


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